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domingo, 9 de janeiro de 2011

Madredeus e Teresa Salgueiro em " As Brumas do Futuro", Homenagem a Victor Alves, um Major que foi "Capitão de Abril"


Victor Alves era dos Homens mais cultos e honrados de entre todos os capitães de Abril que se decidiram a devolver a Liberdade a Portugal.
Conheci-o por intermédio de um Amigo, com quem tive a sorte de privar na vida militar, num quartel de Leiria, o também Major Melo Antunes.
Ambos, sabe-se, tiveram um papel determinante na elaboração do Programa do Movimento das Forças Armadas.Homens honrados e impolutos,foram sábios na gestão da ligação das liberdades com a democracia e com a descolonização.E bateram-se, também no Programa,pela luta contra a pobreza e pelo Desenvolvimento do Portugal atrasado que o fascismo nos legara.
Victor Alves parte, como já partiu Melo Antunes.
Também ele deixa marcas indeléveis na nossa Liberdade e na nossa Democracia.
Osvaldo Castro

Morreu Victor Alves, um capitão de Abril e o "gentleman" da revolução

Lisboa, 09 jan (Lusa)

Vítor Alves, conhecido como um dos capitães de abril que fizeram a revolução de 1974 em Portugal, nasceu em setembro de 1935 em Mafra, onde iniciou a vida escolar, e tinha a patente de coronel desde 2001.

Em 1974, juntamente com Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço, fez parte da comissão coordenadora e executiva do Movimento das Forças Armadas (MFA), tendo redigido o programa.

Foi o responsável pelo comunicado do MFA divulgado à população no 25 de abril e substituiu Otelo Saraiva de Carvalho, a partir das 16:00, no posto de comando da Pontinha, passando a coordenar o desenvolvimento da ação.

Pertenceu ao Conselho de Revolução, do qual foi porta-voz, e foi ministro dos II e III Governos provisórios.

Em 1982, foi nomeado conselheiro do então Presidente da República, Ramalho Eanes, ano em que passou à reserva como militar e foi extinto o Conselho da Revolução.

Matriculou-se na Escola do Exército em 1954 e passou à reforma em 1991.

Durante a vida militar, esteve colocado em várias unidades, incluindo no Ultramar em comissão de serviço, onde permaneceu 11 anos, em Moçambique e Angola.

Fez vários estágios e cursos militares e em 1969 foi-lhe atribuído o Prémio Governador-Geral de Angola pelo trabalho desenvolvido no campo das atividades socioeconómicas em prol das populações africanas.

Recebeu em Portugal vários louvores e condecorações, entre os quais a Medalha de Mérito Militar e a Medalha de Comportamento Exemplar de Prata.

Vítor Alves foi nomeado para o cargo de ministro sem pasta em 1974, tendo exercido essas funções até 1975.

Nessa qualidade foi responsável pelas pastas da Defesa Nacional e da Comunicação Social, tendo visto aprovada, por sua iniciativa, a primeira lei de imprensa pós-25 de abril, que vigorou até 1999. Foi também porta-voz do
Governo.

Desempenhou funções de ministro da Educação e Investigação Científica em 1975 e 1976.

Uma década depois seria candidato independente pelo PRD às eleições legislativas (1985), à presidência da Câmara de Lisboa (1986) e ao Parlamento Europeu (1987).

Participou na fundação da Associação 25 de Abril e posteriormente no conselho de acompanhamento do ministro da Justiça (1997-2000).

Vítor Alves recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (1983), entre muitas outras distinções dentro e fora de Portugal.

AH/Lusa

+++ Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico +++