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sábado, 10 de setembro de 2011

Não somos o terceiro partido do centro direita nem a esquerda do Bloco Central,diz Manuel Alegre

Braga, 10 set (Lusa)

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre advertiu hoje a nova liderança socialista que não pode deixar as coisas na mesma, recusando que o PS seja a esquerda do Bloco Central ou o terceiro partido nacional do centro direita.

Manuel Alegre falava aos delegados do XVIII Congresso Nacional do PS, em Braga, durante o período de discussão das moções de orientação estratégia, num discurso em que procurou identificar as causas dos sucessos eleitorais dos partidos de direita e as causas das derrotas dos socialistas.

A esquerda perde, segundo Alegre, “por se ter deixado colonizar ideologicamente e por ter feito políticas que não são as suas - e também por se der deixado embalar pela canção enganadora da terceira via, por ter capitulado quando não devia capitular e por ter aceite passiva e acriticamente as soluções impostas pelos especuladores que estão a dominar a Europa e a empobrecer os nossos países”.


“Nós não estamos a fazer este Congresso para que tudo fique na mesma. É essa a minha esperança”, disse, antes de considerar que o secretário-geral do PS, António José Seguro, tem pela frente um desafio de enorme dimensão.

“Não se trata apenas de iniciar um novo ciclo no PS. Trata-se de enfrentar um novo e terrível ciclo da História. Depois de libertar Portugal da ditadura, depois da instauração da democracia, temos agora de libertar a democracia confiscada por essa nova forma de ditadura, que é a ditadura dos especuladores e dos mercados financeiros”, considerou.

Segundo Alegre, pede-se a Seguro e ao PS que façam “de novo História e iniciem um novo ciclo na História”.

“Para isso temos de afirmar de novo com toda a clareza a autonomia do PS, desta vez contra a direita, contra o capitalismo especulativo e o neo-liberalismo, contra a lógica infernal de poderes não eleitos e sem rosto que se sobrepõem aos poderes legítimos e democráticos de cada Estado”, disse.

Numa referência aos compromissos internacionais assumidos por Portugal ao nível financeiro, Manuel Alegre disse aceitar que os socialistas tenham “sentido de Estado”.

“Mas não se peça ao PS que seja cúmplice de uma política de direita contra o Estado Social e a coesão do país. O PS não é o terceiro partido do centro direita, nem a ala esquerda do bloco central”, frisou.

Depois de pedir à nova direção para que coloque o PS claramente à esquerda, o ex-candidato presidencial atacou o Governo PSD/CDS.

“Não estou a propor um tumulto nem a incendiar o país”, porque “quem está a fazer um tumulto e a incendiar o país é o dr. Passos Coelho e o seu Governo com um ataque sem precedentes às funções sociais do Estado, com a venda ao desbarato de empresas e bens públicos, com a sobrecarga de impostos que está a estrangular a classe média e a empobrecer os portugueses, com a subserviência de quem em Portugal é a favor dos ‘eurobonds’ e perante a [chanceler germânica] Merkel diz que, afinal, é contra”, afirmou.

Ainda de acordo com Alegre, “quem está a incendiar o país é o ministro das Finanças [Vítor Gaspar] que vai à televisão para anunciar cortes históricos nas despesas e sai de lá com subidas brutais nos impostos”.

“Para o dr. Passos Coelho e seu Governo emagrecer o Estado é cortar na Saúde, na Segurança Social, na Educação, nos salários, no subsídio de Natal, nas reformas e na Cultura. Os cortes que estão a fazer são cortes ideológicos – e é por fundamentalismo ideológico que o Governo está a ir além da troika”, acrescentou.

PMF/Lusa

PS/Congresso: Assis aplaudido de pé depois de fazer discurso de unidade

Braga, 10 set (Lusa)

Francisco Assis foi hoje aplaudido de pé no Congresso do PS, declarando encerrada a disputa com António José Seguro, num discurso em que criticou a “intimidade” de Cavaco Silva com o Governo e defendeu a herança “socrática”.

“Podes contar comigo”, afirmou o ex-líder parlamentar do PS e candidato derrotado ao cargo de secretário-geral nas eleições diretas de julho, dirigindo-se ao vencedor da disputa interna, António José Seguro, durante o discurso de apresentação da sua moção de estratégia.


Já depois de ter recebido prolongadas salvas de palmas por parte dos delegados, Francisco Assis voltou a garantir que recusa ser um líder de fação, elogiou o discurso proferido pelo novo secretário-geral na abertura do congresso [na sexta-feira] e levantou a plateia ao assumir em sentido contrário uma famosa frase da autoria do ex-presidente do PSD Pedro Santana Lopes.

“Eu não vou andar por aí, eu vou estar por aqui ao vosso lado. Temos de sair daqui como um partido que sabe reconduzir-se à unidade. Os portugueses estão à espera que os socialistas se unam para criarem uma alternativa sólida”, declarou na parte final da sua intervenção, que durou 28 minutos.

O candidato derrotado à liderança do PS preferiu centrar o seu discurso no ataque ao executivo de coligação PSD/CDS, que disse ter condições únicas para governar, já que dispõe de maioria absoluta no Parlamento, dispõe de hegemonia nas autarquias e “entre os comentadores das televisões”, contando, ainda, com a “cooperação ativa e íntima” do Presidente da República.

Assis disse mesmo que esse comportamento de Cavaco Silva “contrasta com a atuação que teve com o Governo anterior [de José Sócrates] na última fase da sua vida.

Em relação ao Governo liderado por Pedro Passos Coelho, o ex-líder parlamentar socialista deu como exemplo da sua alegada insensibilidade social “o caso chocante” de se pretender limitar o número de transplantes a realizar em Portugal.

“Não estamos a falar de uma cirurgia estética, mas da fronteira entre a vida e a morte”, disse, antes de advertir que Portugal, face à ação do atual Governo, “corre o risco de enfrentar uma cisão histórica com a destruição e empobrecimento de uma grande parte da classe média portuguesa”.

Neste ponto, Assis citou o filosofo Aristóteles e considerou que não há sociedade democrática saudável sem a existência de uma classe média forte, razão pela qual, na sua perspetiva, o discurso de oposição dos socialistas deve dirigir-se prioritariamente a estes grupos sociais.

Apesar de nunca ter atacado a linha maioritária, o candidato da tendência minoritária deixou alguns recados à futura direção liderada por António José Seguro sobre a herança dos governos de José Sócrates.

“Não podemos aderir à falsificação do relato e à revisão da História feitas pela direita sobre estes últimos seus anos. O legado dos últimos seis anos não é o défice, a dívida e o desemprego, mas o grande salto na qualificação das pessoas e a modernização da economia portuguesa. Temos de nos orgulhar desse legado e sabê-lo projetar no futuro”, disse.

PMF/Lusa

PS/Congresso: Seguro identifica seis diferenças de fundo entre socialistas e Governo PSD/CDS

Braga, 09 set (Lusa)

O secretário-geral do PS identificou hoje seis diferenças de fundo entre os socialistas e o Governo PSD/CDS, numa tentativa de traçar uma clara linha de demarcação face a políticas sociais e económicas de cariz liberal.

Na sua intervenção, durante a sessão de abertura do XVIII, António José Seguro centrou o PS numa linha de esquerda, demonstrando pouca abertura para alterações constitucionais, ou para mudanças profundas ao nível do Estado social
.

De acordo com Seguro, o PS separa-se do PSD na sua visão sobre a Constituição da República, alegando que defende a atual Lei Fundamental, e na ambição da igualdade, que, “para a direita, não é um valor ético, um dever que a sociedade impõe a si mesmo concretizar”.

Nos direitos sociais, segundo Seguro, o atual Governo tem uma perspetiva de “caridadezinha” e em que a “assistência é sempre provisória, sempre desconfiada e sempre excessiva por ser para quem é”.

“Esta visão das políticas sociais confunde benesses e esmolas com direitos”, sendo “um retrocesso civilizacional sem paralelo na História democrática” e “uma ofensa à ética democrática e à consciência republicana”, considerou o secretário-geral do PS.

Outra diferença entre socialistas e liberais relaciona-se­, na perspetiva de Seguro, com a questão do rigor orçamental, que, para os socialistas, é uma condição essencial para garantir a sustentabilidade do Estado e que, para a direita, “é um fim em si mesmo porque os mercados assim o exigem”.

No posicionamento face à Europa, Seguro disse que o PS encara este projeto como “um espaço de liberdade e de solidariedade, muito mais do que um mercado e uma moeda única”.

“O posicionamento do atual Governo consiste apenas em acatar o memorando [da troika] e as posições da Alemanha, sem nunca as problematizar, sem distinguir entre os nossos interesses e os das principais potências europeias, sem nunca pensar de que modo a nossa crise é também a crise das dívidas soberanas e a crise do euro. O atual Governo e este PSD estão embrulhados num europeísmo acrítico, que nos leva para uma situação na qual o país, mesmo que consiga pagar as suas dívidas e agradar aos parceiros europeus, ficará depois – e por muitos anos – mais pobre e sem alternativas de desenvolvimento”, disse.

Como sexta e última diferença face ao atual executivo, o líder socialista apontou a questão da “confiança nas pessoas e na capacidade de transformação do ser humano”.

“A diferença entre nós e a direita é que a direita desconfia das pessoas. Essa é a diferença fundamental entre a visão progressista e a visão conservadora”, advogou.

PMF/Lusa

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PS/Congresso: "Não passamos cheques em branco" ao Governo - avisa Seguro

Braga, 09 set (Lusa)

O secretário-geral do PS considerou hoje que o Governo PSD/CDS deixou já as marcas da injustiça social, incumprimento eleitoral e insensibilidade social, advertindo que os socialistas não passarão “cheques em branco” nas medidas de austeridade.

“Foi assim com o aumento colossal dos preços dos transportes, foi assim com o aumento brutal da taxa do IVA para a eletricidade e para o gás e foi assim com a criação de um imposto extraordinário sobre o subsídio de Natal”, disse o líder socialista no seu discurso inicial no congresso do PS, que se estendeu por mais de uma hora.


No seu longo discurso, Seguro começou logo por se desobrigar de apoiar as mais recentes medidas de austeridade tomadas pelo Governo, dizendo que nenhuma delas faz parte do memorando da troika.

“Foi o Governo que escolheu estas medidas como prioridade da sua ação política, é o Governo o único responsável por estes aumentos de preços e de impostos”, afirmou.

No caso da recente decisão do executivo de aumentar o IVA da eletricidade e do gás, Seguro dramatizou as consequências sociais e deixou mesmo um repto ao primeiro-ministro: “Desafio o primeiro-ministro a reconhecer o erro, a voltar atrás nesta decisão e a aceitar as propostas de justiça social apresentadas pelo PS”, disse, numa alusão à medida alternativa apresentada pelos socialistas no sentido de se alargar antes o imposto extraordinário às empresas com lucros superiores a dois milhões de euros.

Seguro defendeu que essa medida dos socialistas geraria maior receita para o Estado e que o aumento do IVA para o gás e eletricidade, como propõe o Governo, coloca em causa “portugueses que fazem das tripas coração para chegar com dinheiro ao final de cada mês”.

“Um aumento de seis para 23 por cento do IVA, dezassete pontos percentuais, é uma violência. Estamos perante um aumento de 280 por cento”, frisou, antes de acusar o executivo de não estar a cumprir a sua promessa de “cortas nas gorduras do Estado e nos consumos intermédios” e de não ter ainda falado por uma só vem em medidas de combate à fuga e fraude fiscais.

“A posição do PS é muito clara: Responderemos pelas medidas que tiverem a nossa assinatura [do memorando da troika], não passamos cheques em branco”, salientou, procurando balizar a sua ação enquanto líder da maior força da oposição.

Neste contexto, Seguro deixou ainda outro aviso ao Governo: “O PS é contra a privatização das águas de Portugal e é contra a privatização da RTP. O Governo quer ir mais uma vez para além do memorando da troika”, sustentou.

PMF/Lusa