segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eurogrupo aprova tranche e novas metas para Portugal corrigir o défice


Os ministros das Finanças da zona euro aprovaram esta segunda-feira à noite, no Luxemburgo, o desembolso da próxima tranche do empréstimo externo a Portugal, assim como a extensão, por um ano, do prazo para correcção do défice, indicaram fontes diplomáticas.
A decisão formal do Eurogrupo, já era esperada, surge na sequência da quinta revisão do programa de assistência a Portugal, que ficou marcada pela polémica em torno das alterações à Taxa Social Única (TSU) propostas pelo Governo durante as conversações com a troika, mas que acabariam por “cair”, face à forte contestação que geraram, sendo substituídas por um aumento de impostos.Já na posse de todos os documentos do memorando de entendimento revisto, que incluem as medidas alternativas entretanto acordadas entre as autoridades portuguesas e a troika, os ministros das Finanças dos 17 – que continuam reunidos – deram então hoje a “luz verde” ao desembolso da próxima tranche de ajuda.A nova tranche é de 4300 milhões de euros, dos quais 1500 milhões são activados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O desembolso do envelope financeiro está ainda dependente da aprovação por parte do Conselho de Administração do FMI, que só deverá formalizar a decisão no final do mês.(LER MAIS)

Marcelo: Passos Coelho “tem 15 dias” para remodelar o Governo


Marcelo Rebelo de Sousa defendeu neste domingo que o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho “tem 15 dias” para remodelar o Governo e considerou que o "brutal aumento" de impostos anunciado nesta semana é “um pacote de um só tiro” que não permitirá falhar.No seu comentário semanal na TVI, o antigo líder do PSD e actual conselheiro de Estado disse que o primeiro-ministro “tem 15 dias” para efectuar uma remodelação governamental, o que, argumentou, terá de ser feito antes da apresentação e discussão do novo Orçamento do Estado e antes de o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, iniciar uma viagem à Ásia.A remodelação não deverá ser adiada para além disso, deu a entender Marcelo Rebelo de Sousa. E adiantou: “Quando chegar a Dezembro, por este ritmo, o que não haverá de especulação?”Ao referir-se ao aumento de impostos anunciado na quarta-feira pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o comentador disse que representa “um pacote de um só tiro” para o Governo. “É como um caçador em frente a um só urso e só com uma bala”, comparou, para dizer que se trata de “um pacote para acertar” e feito para cobrir desvios orçamentais.(LER MAIS)



domingo, 7 de outubro de 2012

"Ética da Troika", por Fernanda Palma

Por solicitação do Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emitiu um parecer sobre um modelo de deliberação para financiamento do custo dos medicamentos. Como premissa do seu estudo, o Conselho não deixou de ter em consideração as restrições de despesas na saúde derivadas do acordo celebrado com a troika.
O Conselho não adianta critérios mas propõe um modelo de deliberação inspirado em Norman Daniels, professor de Bioética em Harvard e autor da expressão "responsabilidade para a razoabilidade". O modelo terá sido testado no Canadá e na Austrália, mas o parecer não apresenta nenhuma comprovação do seu êxito nem da sua adequação à realidade portuguesa.
Sendo tão abstrato quanto ideológico, este modelo pode levar a leituras perversas, como a recusa da "obstinação" no prolongamento da vida de determinados doentes cancerosos, por poder colidir com o tratamento de outros doentes. O parecer pressupõe, deste modo, conflitos económicos que devem ser decididos por lógicas não explicitadas de custo-benefício.
O ponto de partida do parecer é a crítica de uma ideia de Justiça que preconiza o incremento máximo de todos os direitos dos doentes, atribuída, em tese geral, a John Rawls. O parecer qualifica este filósofo como utilitarista, esquecendo que ele se dedicou, na "Teoria da Justiça", a superar o utilitarismo numa perspetiva kantiana, como assinalou Paul Ricoer.
É certo que o parecer tem a virtude de alertar para a necessidade de transparência de critérios e para a desigualdade social no acesso à saúde. Porém, desconhece por completo a dimensão constitucional do direito à saúde – não utilitarista e baseada na igual e máxima dignidade da pessoa –, que pode ser posta em causa por certas interpretações da sua doutrina.
O parecer rejeita a política maximalista que reduziu drasticamente a mortalidade infantil e acrescentou doze anos à nossa esperança de vida. A decisão médica será orientada por uma razoabilidade económica que limita o empenho em atingir níveis ótimos. Uma tal orientação empurrará os menos pobres para seguros privados e os mais ricos para o estrangeiro.
Bem-intencionado decerto, o parecer não parte de uma avaliação da realidade portuguesa (dos desperdícios e sucessos) e ignora o parâmetro constitucional. Pede aos médicos que prestem contas das suas decisões num plano de utilidade que não define e cede à mensagem subliminar de que pode haver uma ética na saúde a partir dos interesses dos nossos credores.
Por:Fernanda Palma, Professora Catedrática de Direito Penal,a quem, com a devida vénia, se agradece.Foi publicado no "Correio da Manhã".

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Mário Soares: "Quem tem medo compra um cão"



O ex-presidente da República criticou hoje o facto de as cerimónias do 5 de Outubro terem sido fechadas ao povo. E comentou a mudança de local das comemorações por razões de segurança.
"Resolvi não estar presente nessa cerimónia se o povo não está presente", disse Mário Soares durante o discurso do jantar do PS do 5 de Outubro, em Alenquer, que junta dois mil militantes.
À entrada, o histórico socialista afirmou aos jornalistas que "foi lamentável" a mudança do local das comemorações.
"Nem no 5 de Outubro de 1910" isso aconteceu. "O povo foi e festejou a vitória. Não se pode excluir o povo", sublinhou.
Em alusão à decisão de alterar o local das cerimónias da Praça do Município para o Pátio da Galé, em Lisboa, por razões de segurança, Soares referiu: "Quem tem medo, compra um cão".
dn.pt-hoje

Marques Mendes: Governo fez “ataque à mão armada” aos portugueses

Luís Marques Mendes, antigo presidente do PSD, fez na noite desta quinta-feira um cerrado ataque ao Governo, acusando-o de ter feito “um assalto à mão armada” aos portugueses e de estar “desorientado”.
No seu habitual comentário no jornal Política Mesmo da TVI24, o Conselheiro de Estado de Cavaco Silva, considerou excessivo o aumento de impostos. E deu como exemplo o facto dos contribuintes que ganham 80 mil euros por ano irem pagar um total de 65% de impostos.“É um bom ordenado, mas não são milionários, são classe média. (…) Vão dar dois terços para o Estado e só ficam com um terço do seu ordenado. Vão trabalhar oito meses para o Estado e apenas quatro para si. Isto é uma espécie assalto à mão armada aos contribuintes. (...) É matar a classe média.”Outro exemplo deste “assalto”, segundo Marques Mendes, é o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). O social-democrata lembrou a cláusula de salvaguarda deste imposto, decretada já por este Governo, que impedia que quem ganhasse menos 4.898 euros por ano tivesse um tecto máximo de aumento de 75 euros.“O mesmo Governo que criou esta cláusula, retirou-a agora. Isto é um ataque sem precedentes à classe média”, acrescentou.(LER MAIS)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Paulo Portas: «Carga fiscal tem de ser atenuada com redução de despesas»

O líder do CDS-PP emitiu esta quinta-feira a primeira reacção de um parceiro da coligação governamental às medidas anunciadas na véspera por Vítor Gaspar. Paulo Portas, que falava após a moção de censura na Assembleia da República, reiterou a mensagem do seu partido relativamente ao aumento «brutal» dos impostos. O CDS-PP «tudo vai fazer para um corte de despesas», assegurou.
«Considero que Portugal está numa situação de salvação nacional» e «valorizo a estabilidade que Portugal precisa para enfrentar os seus desafios», começou por dizer, numa breve declaração.
Sobre o aumento de impostos anunciado por Vítor Gaspar, afirmou que «precisamos de um trabalho redobrado para moderar essa carga fiscal».
«Estou apenas a confirmar aquilo que o Governo tem afirmado e que está expresso no memorando de entendimento» (com a troika), concluiu.
Diário Digital-Hoje

Forte agravamento do IMI em 2013 e 2014

Os proprietários de habitação própria vão sofrer um aumento significativo da tributação em 2013.
A subida do valor do IMI, fruto dos novos valores das avaliação dos imóveis levada a cabo em 2012, deixa de poder ser contida com a cláusula de salvaguarda prevista no Código do IMI. Essa cláusula será eliminada em 2013, o que quer dizer que o valor do IMI vai poder subir várias vezes, em linha com a evolução da avaliação realizada. Quando foi criado, o IMI ficou previsto que a totalidade dos imóveis tivesse de ser reavaliada com base na fórmula de avaliação prevista na reforma de 2003, o que permitiria uma baixa de taxas de imposto para a totalidade dos proprietários. Mas o que se passou foi que todos os prazos para realizar essa reavaliação foram ultrapassados e, quando a troika interveio em Portugal, impôs que essa reavaliação fosse feita em 2012. O que foi feito.Mas dado que os valores das matrizes prediais estavam claramente subavaliadas face aos valores de mercado e temendo-se que se verificasse um agravamento da tributação em IMI, fruto da reavaliação dos valores dos imóveis, impôs-se uma cláusula de salvaguarda para impedir um agravamento muito acentuado. (LER MAIS)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

PS vai abster-se nas moções de censura de PCP e BE

Seguro pediu ao PS que recusasse o voto a favor em qualquer das moções de censura ao Governo apresentadas pelo PCP e pelo BE. O partido disse “sim” e vai abster-se.
Na intervenção inicial com que a abriu a comissão política do partido, que contou com a participação dos deputados e terminou já perto da 1h da madrugada de hoje, António José Seguro justificou a recusa de votar ao lado das moções dos partidos à sua esquerda com a diferença de fundo do posicionamento face ao memorando da troika.O deputado José Junqueiro revelou no final do encontro a posição do partido: O PS vai abster-se. O vice-presidente da bancada socialista disse mesmo que a abstenção “significa a afirmação de uma alternativa responsável, que foi assumida por unanimidade por toda a Comissão Política Nacional do PS e que teve a participação dos deputados do grupo parlamentar”. Só que, alguns minutos depois, o líder da bancada parlamentar dos socialistas, Carlos Zorrinho, colocava no Twitter, uma versão menos clara da posição do partido: “Comissão Política do PS aprovou por unanimidade a decisão de não votar favoravelmente as moções de censura do PCP e do BE.”Ou seja, uma versão que podia levar que o PS se pudesse abster numa moção de censura e votar contra noutra, votar contra as duas, ou abster-se em ambas.Questionado pelo PÚBLICO via Twitter, Zorrinho respondeu: “Abstenção por uma alternativa responsável.”(LER MAIS)


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Eleição de Sousa Ribeiro para presidente abre outro ciclo no Tribunal Constitucional

Sousa Ribeiro, da área socialista, sucede a Moura Ramos no cargo. Com quatro novos juízes, o "novo" TC pode voltar a ter nas mãos o Orçamento do Estado e, no limite, uma crise política.
O juiz conselheiro Joaquim Sousa Ribeiro foi eleito nesta terça-feira novo presidente do Tribunal Constitucional (TC). Os juízes do Tribunal Constitucional (TC) elegeram esta manhã o seu presidente, depois de ontem ter tomado posse Pedro Machete como o 13.º juiz, escolhido pelos restantes. Joaquim Sousa Ribeiro, conotado com o PS, é o novo presidente, substituindo Rui Moura Ramos. E a juiza conselheira Maria Lúcia Amaral, conotada com o PSD, foi eleita vice-presidente.O "novo" TC, cujo figurino ficou hoje completo, poderá vir a ter nas mãos uma das decisões mais determinantes para o país, caso tenha de apreciar a constitucionalidade de normas do próximo Orçamento do Estado. Para um dirigente centrista próximo de Paulo Portas, um segundo chumbo a medidas de austeridade não se traduziria só numa "crise política", mas sim numa "crise institucional". O mesmo é dizer que poria em causa a legitimidade do Governo.(LER MAIS) 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Espanha está pronta para pedir resgate, mas Alemanha pede calma


Espanha está pronta para pedir um resgate financeiro já na próxima semana, mas a Alemanha defende que deve ser adiado, confirmaram esta segunda-feira vários responsáveis europeus à agência Reuters.
“Os espanhóis estavam algo hesitantes mas agora estão prontos para pedir ajuda”, disse esta segunda-feira um alto responsável europeu. Outras três fontes da zona Euro confirmaram à Reuters esta mudança de posição do Governo espanhol.Porém, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, sublinha que Espanha está a dar todos os passos certos para superar os seus problemas fiscais e que não precisa de um resgate, argumentando que os investidores reconhecerão as reformas que já foram postas em curso.Vários diplomatas europeus e um alto responsável alemão disseram, em privado, que a chanceler Angela Merkel prefere por ora evitar novos pedidos de resgate individuais. “Não faz sentido enviar decisões iminentes sobre a Grécia, Chipre e possivelmente também sobre a Espanha para o Bundestag (parlamento federal alemão) uma por uma”, disse essa mesma fonte alemã. “Faz sentido juntá-las, tanto pela substância como politicamente.”(LER MAIS)