Lisboa, 28 abr (Lusa) -O presidente do PSD afirmou hoje que o seu partido vai cooperar com o Governo, assegurando "um quadro de estabilidade" para o cumprimento dos compromissos de redução do défice e da dívida assumidos por Portugal.
Pedro Passos Coelho falava aos jornalistas no final de um encontro com o primeiro ministro, José Sócrates, em São Bento, que se destinou a discutir medidas para reduzir o défice orçamental e responder à classificação da dívida portuguesa pelas agências financeiras e à subida dos juros das obrigações portuguesas.
"Quaisquer que sejam as diferenças políticas - e elas existem, como é patente - entre PSD e PS, essas diferenças não nos impedirão de oferecer a Portugal um quadro de estabilidade para os nossos compromissos internacionais no que respeita à matéria de estabilização financeira. Esta é a principal mensagem que gostaria de deixar aqui hoje", declarou.
"Não se conte com falta de condições em Portugal para que estes objetivos orçamentais venham a ser atingidos. Faremos o que estiver ao nosso alcance e o que se revelar necessário para que o país, de acordo com as medidas que o Governo entende serem mais prioritárias, possa ver cumpridos os seus objetivos internacionais", prometeu.
Antes, o presidente do PSD referiu que o primeiro ministro lhe transmitiu "a intenção do Governo em antecipar várias das medidas que tinha previsto no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) que estavam inicialmente previstas apenas para 2011 mas cuja aplicação, nesta altura em particular, no entender do Governo, deve ser antecipada para 2010".
"E eu transmiti ao senhor primeiro ministro a disponibilidade do PSD para, neste momento em que precisamos de dar uma resposta pronta de confiança e de tranquilidade aos mercados, não deixar nenhuma dúvida da nossa disponibilidade para que essas medidas possam entrar em vigor mais rapidamente", acrescentou.
Passos Coelho reiterou que o PSD se manifestou disponível "para acompanhar de muito perto toda esta situação nas próximas semanas e cooperar com o Governo" para que sejam adotadas "todas as medidas que se revelem necessárias para inverter a atual situação de desconfiança que se gerou, quer sobre a dívida soberana portuguesa, quer sobre o euro".
Segundo Passos Coelho, o primeiro ministro manifestou "abertura também para considerar medidas de reforço do PEC que se venham a revelar necessárias" para que em 2013 Portugal tenha,"de facto, um défice inferior a três por cento.
Não houve direito a perguntas por parte da comunicação social no final do encontro.
Na sua declaração de cerca de quatro minutos, o presidente do PSD referiu quatro vezes a palavra "disponibilidade", afirmando aos mercados internacionais e a todos os portugueses que os sociais democratas vão "colocar o interesse do país acima de tudo".
O presidente do PSD fez questão de assinalar "o espírito de grande cordialidade e de cooperação que o primeiro ministro demonstrou nesta reunião".
IEL/Lusa
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***