sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ah Ça Ira...Edith Piaf (pour la France)

Margens de lucro dos supermercados já chegavam a 70% há mais de dez anos

04.05.2012 -Por:Público/Ana Rute Silva, Pedro Crisóstomo
As margens de lucro dos supermercados na venda dos produtos agrícolas têm-se mantido estáveis desde 2000, chegando aos 70%, segundo o Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-alimentares. Mas o aumento dos custos de produção tem encolhido os ganhos dos produtores, que não conseguem reflectir no preço a subida destes encargos.

A relação entre fornecedores e retalho tem sido quase sempre marcada por alguma tensão, mas o tema voltou à agenda depois da promoção feita pelo Pingo Doce no 1.º de Maio. 
O Observatório, criado pela Assembleia da República, analisou as margens de comercialização da alface, cenoura, maçã e pêra à venda, em Março, nos supermercados, e lembra que os dados de um estudo anterior, entre 2000 e 2006, já apontavam para margens de lucro das cadeias de distribuição naquela ordem.(Ler Mais)

Sarkozy avança nas sondagens, mas continua atrás de Hollande

O presidente em fim de mandato de França, Nicolas Sarkozy, diminuiu a desvantagem em relação ao socialista François Holland para as eleições de domingo, indicaram as quatro sondagens hoje publicadas.
As sondagens mostram Hollande com uma vantagem entre cinco e sete pontos percentuais na segunda volta das presidenciais.
A pesquisa do instituto Sofres para a estação de televisão iTéle dá ao socialista a vitória com 52,5% dos votos, um ponto e meio menos que na sua última sondagem, publicada a 24 de abril.
A estimativa é a mesma dos institutos BVA e Ipsos, que também coincidem na tendência de baixa do candidato socialista.
O primeiro instituto, cuja pesquisa foi publicada pelo diário Le Parisien, assinala que Sarkozy reduziu a desvantagem em um ponto, enquanto o Ipsos, que realizou a sondagem a pedido da rádio e televisão públicas, indica que o corte foi de meio ponto.
Por fim, o instituto Harris Interactive, numa pesquisa para a estação de televisão do Parlamento, dá a vitória a Hollande com 53% dos votos, o seu melhor resultado desde meados de abril.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, desvalorizou o facto de as pesquisas preverem a sua derrota na segunda volta e mostrou-se convencido de que haverá «uma grande igualdade» na votação de domingo, que «será decidida por muito pouco», disse. 


Diário Digital

Pingo Doce vendeu produtos abaixo do preço de custo,diz a ASAE

Público-3/5/2012
A Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) concluiu que o Pingo Doce praticou dumping com a promoção realizada no feriado do 1º de Maio – dia em que vendeu todos os produtos com 50% de desconto.
De acordo com as conclusões da investigação, que estão a ser avançadas pela Antena 1, a Jerónimo Martins vendeu pelo menos três produtos abaixo do preço de custo: arroz, óleo e whisky.
O caso vai ser enviado já nesta sexta-feira para a Autoridade da Concorrência, podendo o grupo alimentar arriscar-se ao pagamento de uma multa que pode chegar aos 30 mil euros. Para a lei da concorrência é indiferente o número de produtos que são vendidos abaixo do preço de custo, importando apenas averiguar se existiu ou não tal acto.
Na quarta-feira a Jerónimo Martins, dona das quase 400 lojas do Pingo Doce abertas em todo o país, garantiu que não tinha incorrido em dumping na campanha lançada no último feriado e que provocou o caos em vários supermercados.
A venda de produtos abaixo do preço de custo é proibida em Portugal. Segundo a Antena 1, os inspectores da ASAE estão a ultimar um processo contra a Jerónimo Martins, num auto que deverá seguir já amanhã para a Autoridade da Concorrência, a quem cabe a instrução do processo e a aplicação das multas. Mas o grupo garantiu ao Jornal de Negócios que não recebeu qualquer notificação das conclusões da ASAE. (Ler Mais)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Presidenciais em França: Bayrou, líder centrista, dá o seu voto a Hollande


03.05.2012 - Por:Público/Isabel Arriaga e Cunha
François Hollande recebeu esta quinta-feira um apoio simbólico de peso de François Bayrou, o líder do partido centrista (MoDem), que lhe garantiu, a título pessoal, o seu voto na segunda volta das presidenciais de domingo.
Anunciada ao princípio da noite, a posição de Bayrou constituiu um verdadeiro balde de água fria para Nicolas Sarkozy, o Presidente conservador cessante. A surpresa foi tanto maior quanto o líder centrista tem assumido posições muito críticas face ao programa económico do candidato socialista, chegando mesmo a considerá-lo “uma catástrofe”. 
Numa curta declaração à imprensa que tinha anunciado para depois do debate decisivo de quarta-feira entre os dois candidatos, Bayrou justificou a sua escolha pela “violência” da campanha de Sarkozy na “corrida” ao voto da extrema-direita com posições anti-imigração que constituem uma “contradição dos valores” dos centristas e “uma negação do projecto europeu”. 
Bayrou sublinhou que não dará indicação de votos aos seus 3 milhões de eleitores (9%) da primeira volta das eleições. Mas, frisou “não quero votar em branco, seria uma indecisão e nas actuais circunstâncias a indecisão é impossível. Resta o voto em favor de François Hollande, e essa é a minha opção”. 
A posição de Bayrou foi interpretada pelos próximos de Sarkozy como a expressão da sua inimizade pessoal com o Presidente e uma manobra táctica para se colocar desde já ao lado do provável vencedor de domingo. 
Apesar de constituir uma bomba no plano simbólico, a posição de Bayrou não deverá alterar a relação de forças entre os dois candidatos, tanto mais que as sondagens já estão a integrar a partilha dos eleitores do MoDem entre ambos. 
Novas sondagens publicadas depois do debate mais esperado de toda a campanha, na quarta-feira, continuam a apontar para uma diferença de 6 a 8 pontos percentuais entre os dois a favor de Hollande. O que significa, segundo os analistas, que o debate, seguido por quase 18 milhões de telespectadores, não alterou o panorama eleitoral. 

Jorge de Sena, "Carta aos meus filhos..." (Goya, o fuzilamento de 3 de Maio de 1808)


Carta aos meus filhos sobre o fuzilamento retratado por Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.
É possível, tudo é possível, que ele seja
aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,
onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém
de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido,
conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,
o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto
o que vos interesse para viver. Tudo é possível,
ainda quando lutemos, como devemos lutar,
por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,
ou mais que qualquer delas uma fiel
dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade
não tem contra o número dos que pensaram assim,
amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,
de insólito, de livre, de diferente,
e foram sacrificados, torturados, espancados,
e entregues hipocritamente à secular justiça,
para que os liquidasse “com suma piedade e sem efusão de sangue”.
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,
a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas
à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,
foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,
e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,
ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras
por serem de uma classe, expiaram todos
os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência
de haver cometido. Mas também aconteceu
e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,
aniquilando mansamente, delicadamente,
por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,
foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha
há mais de um século e que por violenta e injusta
ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,
que tinha um coração muito grande, cheio de fúria
e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.
Apenas um episódio, um episódio breve,
nesta cadeia de que sois um elo (ou não sereis)
de ferro e de suor e sangue e algum sémen
a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém
vale mais que uma vida ou a alegria de tê la.
É isto o que mais importa – essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão de falar-vos tanto
não é senão essa alegria que vem
de estar se vivo e sabendo que nenhuma vez
alguém está menos vivo ou sofre ou morre
para quem só de vós resista um pouco mais
à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente,
sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,
e sobretudo sem desapego ou indiferença,
ardentemente espero. Tanto sangue,
tanta dor, tanta angústia, um dia
– mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga –
não hão-de ser em vão. Confesso que
muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos
de opressão e crueldade, hesito por momentos
e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,
quem ressuscita esses milhões, quem restitui
não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes
aquele instante que não viveram, aquele objecto
que não fruíram, aquele gesto
de amor, que fariam “amanhã”.
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo, com cuidado, como coisa
que não é só nossa, que nos é cedida
para a guardarmos respeitosamente
em memória do sangue que nos corre nas veias,
da nossa carne que foi outra, do amor que
outros não amaram porque lho roubaram.

Jorge de Sena

Como já foi recordado aqui anteriormente
(Via Estúdio Raposa)

Debate crispado entre Hollande e Sarkozy

por:dn.pt/Lusa-Hoje
Nicolas Sarkozy e François Hollande, que disputam no domingo a segunda volta da eleição presidencial em França, estiveram na quarta-feira frente a frente num debate televisivo longo, crispado, com insultos e dominado pela crise económica.
No único debate da campanha para a segunda volta, visto por 20 por milhões de espetadores em França e intensamente acompanhado nas redes sociais, o candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, e o socialista François Hollande, favorito à vitória nas sondagens, trocaram argumentos durante mais de duas horas e meia.
Foram diversos os momentos de tensão -- e insulto -- no debate: "O senhor mente", afirmou Nicolas Sarkozy quando Hollande o acusou de fazer uma política para os ricos. "É um lema insuportável para mim, mas que na sua boca se transforma um hábito", acrescentou.
"O senhor levou a cabo uma presidência tendenciosa, partidária", acusou Hollande. Nicolas Sarkozy respondeu com violência: "É mentira. O senhor é um pequeno caluniador", disse.
François Hollande começou o debate afirmando que quer "mudar" e "unir a França". Sarkozy respondeu-lhe que não houve violência durante o seu mandato, apesar das reformas que implementou, e considerou que isso quer dizer que os franceses não partilham da opinião do socialista.
Depois, o recandidato atacou a promessa de Hollande de vir a ser um Presidente normal: "O senhor tem falado de uma presidência normal. A sua normalidade não está à altura dos desafios", afirmou.
O socialista fez um balanço "pesado" do mandato de Sarkozy: "O nosso desemprego aumentou, a nossa competitividade degradou-se, a Alemanha fez melhor do que nós", afirmou.
"A Alemanha aplicou a 'TVA social' anti-deslocalização, que o senhor recusa, a Regra de Ouro, que o senhor recusa, e a regra de competitividade, que o senhor recusa. A Alemanha como argumento para me atacar é um argumento que se vira contra si", respondeu-lhe Sarkozy.
Sobre a Europa, que Hollande pretende que ataque a crise "para além da austeridade, com crescimento", Nicolas Sarkozy afirmou que muitas das medidas que o socialista defende para resolver a crise já foram tomadas.
"Há um ponto de desacordo, os 'eurobonds', que significam que vamos financiar a dívida dos outros e isso eu não quero", afirmou o Presidente recandidato.
A respeito da imigração, com Sarkozy a argumentar pela necessidade de controlar fronteiras e de "proteger a França do comunitarismo muçulmano", Hollande defendeu o direito de voto dos estrangeiros.
O socialista terminou o debate rejeitando a "política de medo" que, considera, Sarkozy vem pondo em prática. Garantiu aos franceses que "as leis da República serão aplicadas" e que "as finanças serão repostas".
Nicolas Sarkozy dirigiu-se aos eleitores da Frente Nacional (18 por cento dos votos na primeira volta) e do MoDem, do centrista François Bayrou (nove por cento): "A questão não é Hollande ou Sarkozy. São vocês. É a direção da França", disse.

Constitucional: Assunção Esteves arquiva processo de candidaturas e aguarda nova lista

A presidente da Assembleia da República enviou hoje um despacho aos grupos parlamentares no qual dá por arquivado o atual processo de candidaturas ao Tribunal Constitucional e afirma que aguarda por uma nova lista, ou mais.
Nesse despacho, ao qual a agência Lusa teve acesso, Assunção Esteves reitera o entendimento de que «existem dúvidas» sobre se o candidato indicado pelo PS, o ex-secretário de Estado Conde Rodrigues, «detém a qualidade de 'juiz dos outros tribunais'», por se encontrar em situação de licença sem vencimento.
Além disso, a presidente da Assembleia da República afirma que, «no bom rigor das coisas», as propostas de candidatura apresentadas por PSD, CDS-PP e PS «não configuram uma lista completa» ao Tribunal Constitucional, «desde logo porque não são subscritas pelos mesmos deputados».
Diário Digital / Lusa

França/Presidenciais: Vitória de Hollande «vai reequilibrar a Europa» e iniciar «novo ciclo político» -- Francisco Assis


O deputado do PS Francisco Assis defendeu hoje que uma vitória de François Hollande nas eleições presidenciais francesas do próximo domingo «vai reequilibrar a Europa», podendo significar «o início de um novo ciclo político».

À margem do ciclo de debates «Novos Paradigmas», na Faculdade de Engenharia da Faculdade do Porto, numa sessão sobre «O Futuro da UE» - onde hoje participa conjuntamente com o eurodeputado do PSD Paulo Rangel - Francisco Assis foi questionado pelos jornalistas sobre a importância das eleições presidenciais de França, tendo respondido que esta «é significativa» e que «não é por acaso» que todos em Portugal, e noutros países da Europa, estão «preocupados com as eleições em França».

«É quase como se fossem umas eleições com verdadeira dimensão europeia porque todos temos consciência que hoje está tudo interligado e que não é possível encontrar uma solução para os problemas do nosso país senão encontrarmos respostas a nível europeu», defendeu.

Diário Digital / Lusa

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Morreu Fernando Lopes, um dos "Bons Malandros"

O Delfim (Trailer)

Fernando Lopes, um dos nomes de referência do Cinema Novo português, morreu esta quarta-feira aos 76 anos, confirmou ao PÚBLICO fonte familiar. O cineasta, que estava hospitalizado na Cruz Vermelha, em Lisboa, tinha um cancro na garganta, diagnosticado há cerca de um ano.
Com uma carreira de 50 anos, Fernando Lopes era, a par de Paulo Rocha e Manoel de Oliveira, uma das referências do cinema português. Autor de “Uma Abelha na Chuva”, de 1972, destacou-se recentemente no top do PÚBLICO, que pediu a dez personalidades da cultura para escolher os dez filmes nacionais que devem vir a integrar o Plano Nacional do Cinema (PNC). Entre as escolhas, Fernando Lopes foi o realizador com mais menções, logo atrás de Manoel de Oliveira. (Ler Mais)