
Em 17 de Abril de 1969,faz hoje 41 anos, os estudantes de Coimbra desencadearam uma luta académica que se prolongou até Novembro desse ano. "Luto"(eufemismo para greve) a aulas, posteriormente, a exames, com adesão de 86% dos estudantes,e encerramento da AAC pelo poder ditatorial da época.E muitos processos disciplinares e criminais contra os principais dirigentes e inúmeras prisões de jovens rapazes e raparigas... e, finalmente, incorporação compulsiva no exército(estávamos em plena guerra colonial) de 49 estudantes dos mais destacados.
Pela primeira vez no decurso do fascismo, o poder autoritário foi forçado a retroceder perante um movimento associativo estudantil.Caíu o Ministro da Educação(o inefável J. Hermano Saraiva), o Reitor e o Vice-Reitor da Universidade, e o governo da ditadura sentiu-se forçado a amnistiar e extinguir os processos desencadeados contra centenas de estudantes.
Na fotografia,o Vice-Presidente da Direcção-Geral da AAC,o subscritor deste "post", dava conta aos estudantes, da prisão, durante a madrugada de 17 de Abril, do Presidente da AAC,Alberto Martins, que ousara cumprir uma decisão estudantil, a de pedir para usar da palavra, em nome dos estudantes de Coimbra, perante o Chefe de Estado da ditadura, Américo Tomás...
Foi a confusão generalizada entre os altos dignitários do regime...
Aí começou o maior movimento de solidariedade e criatividade de jovens estudantes universitários, em Portugal...
Permitam-me recordar aqui a coragem de todos os estudantes de Coimbra que participaram nessa luta e não esquecer alguns dos principais dirigentes,além dos referenciados.Um abraço para a Fernanda Bernarda, Celso Cruzeiro, Matos Pereira, Gil Antunes, José Salvador, Rui Namorado,Strecht Ribeiro, Carlos Baptista, José Manuel Roupiço,Pio Abreu, Rui Pato,Décio Freitas,Luís Januário,Carlos Fraião,Isabel Pinto, Fernanda Campos,Guida Lucas, Filomena Delgado,Fátima Saraiva e os jovens Professores assistentes Avelãs Nunes, Correia Pinto, Vital Moreira e tantos outros que nunca esqueceremos.A nossa saudade sentida para os Profs. Orlando de Carvalho e Paulo Quintela, e também para António Portugal, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira,Barros Moura, João Amaral,Sardo, Clara Antunes, Manuela Seiça Neves , Garcia Neto e outros que partiram cedo demais.
Osvaldo Castro
(adaptado e reactualizado a partir de um post publicado, em 17 de Abril de 2008, no Praça Stephens)