Mostrar mensagens com a etiqueta Crise estudantil em Coimbra; 17 de Abril 1969. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crise estudantil em Coimbra; 17 de Abril 1969. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 17 de abril de 2012

A Crise estudantil de 1969 em Coimbra, em fotografias...


Crise Académica de 1969 - Uma das maiores crises que abalaram a Universidade de Coimbra. Já lá vão 43 anos! Que também se pode ler aqui
Uma reportagem fotográfica histórica de momentos fortes desse período agitado, uma verdadeira relíquia, tem percorrido o país na forma de "pps", com cerca de 200 fotos.

domingo, 17 de abril de 2011

Crise Académica, Coimbra 1969


Por isso te conto… (a propósito do 17 de Abril de 1969)

Eram tempos diferentes.

Imagino mesmo que a um jovem universitário dos dias de hoje possa parecer um tanto estranho o sacrifício, o empenhamento militante e a ilimitada solidariedade dos jovens que viveram e participaram nas lutas do movimento associativo estudantil no longínquo ano de 1969. Tínhamos então, os mesmos vinte anos que tu tens hoje. E a nossa coragem, -têm dito e escrito por aí que fomos uma “ geração de coragem”-não era mais nem diferente da dos jovens de hoje.

Sim, eram tempos diferentes. A liberdade estava ainda com cinco anos de atraso. O país sangrava numa guerra colonial que matava e estropiava jovens da tua idade. A liberdade de palavra e de opinião era garrotada pela censura prévia dos jornais ou ponto de partida para a cadeia. Delitos de opinião, dirás. Sim, de facto. Mas assim se proibiam e apreendiam livros, jornais, filmes e peças de teatro. Os partidos políticos estavam ilegalizados, o direito de manifestação era jugulado pelo autoritarismo fascista e brutalmente reprimido pelas forças policiais.

Por isso te conto… Em 17 de Abril de 1969 não tivemos alternativa. Era a dignidade de uma geração e a honra da Associação Académica de Coimbra contra o opróbrio dos serventuários do regime. De um lado, a cabeça erguida das raparigas e rapazes de 20 anos que lutavam pelo direito de ter voz e usá-la, do outro a visão canhestra das cabeças baixas vergadas pelo peso do cacete da vergonha. De um lado, a Universidade, alunos e professores numa entrelaçada maioria solidária, do outro o despudor sem norte de um regime entrincheirado na repressão e na mentira.

Por isso te conto… Coimbra foi uma cidade sitiada durante meses, mas os teus colegas de então transformaram-na no baluarte da resistência juvenil e inundaram-na da alegria criativa que só jovens de vinte anos sabem inventar. A greve às aulas com ocupação das faculdades, a corajosa greve a exames, a prisão de centenas de rapazes e raparigas, o encerramento da universidade e da AAC ou a incorporação compulsiva de 49 dirigentes estudantis nas fileiras do exército colonial, são apenas factos que substanciam o ardor de uma luta juvenil e que pontuam a negro a indómita repressão que se abateu sobre os estudantes de Coimbra. Era a honra associativa que estava em causa. Optámos por fazer dela bandeira académica, sabíamos das consequências e assumimos a sua inevitabilidade.

Mas disso já te terão contado… E, provavelmente, também saberás que os sicários do regime autoritário viriam a ter de recuar em toda a linha nas medidas repressivas aplicadas. A dignidade e a honra estudantis ficaram intocadas e os estudantes de Coimbra viriam a encontrar nos canos das espingardas do 25 de Abril as mesmas flores que haviam distribuído à população da cidade nos alvores da greve a exames… (reedição)



Osvaldo Sarmento e Castro
(Vice-Presidente Direcção-Geral AAC-1969)

sábado, 17 de abril de 2010

A revolta estudantil de 17 de Abril, em Coimbra, já lá vão 41 anos

Em 17 de Abril de 1969,faz hoje 41 anos, os estudantes de Coimbra desencadearam uma luta académica que se prolongou até Novembro desse ano. "Luto"(eufemismo para greve) a aulas, posteriormente, a exames, com adesão de 86% dos estudantes,e encerramento da AAC pelo poder ditatorial da época.E muitos processos disciplinares e criminais contra os principais dirigentes e inúmeras prisões de jovens rapazes e raparigas... e, finalmente, incorporação compulsiva no exército(estávamos em plena guerra colonial) de 49 estudantes dos mais destacados.
Pela primeira vez no decurso do fascismo, o poder autoritário foi forçado a retroceder perante um movimento associativo estudantil.Caíu o Ministro da Educação(o inefável J. Hermano Saraiva), o Reitor e o Vice-Reitor da Universidade, e o governo da ditadura sentiu-se forçado a amnistiar e extinguir os processos desencadeados contra centenas de estudantes.
Na fotografia,o Vice-Presidente da Direcção-Geral da AAC,o subscritor deste "post", dava conta aos estudantes, da prisão, durante a madrugada de 17 de Abril, do Presidente da AAC,Alberto Martins, que ousara cumprir uma decisão estudantil, a de pedir para usar da palavra, em nome dos estudantes de Coimbra, perante o Chefe de Estado da ditadura, Américo Tomás...
Foi a confusão generalizada entre os altos dignitários do regime...
Aí começou o maior movimento de solidariedade e criatividade de jovens estudantes universitários, em Portugal...
Permitam-me recordar aqui a coragem de todos os estudantes de Coimbra que participaram nessa luta e não esquecer alguns dos principais dirigentes,além dos referenciados.Um abraço para a Fernanda Bernarda, Celso Cruzeiro, Matos Pereira, Gil Antunes, José Salvador, Rui Namorado,Strecht Ribeiro, Carlos Baptista, José Manuel Roupiço,Pio Abreu, Rui Pato,Décio Freitas,Luís Januário,Carlos Fraião,Isabel Pinto, Fernanda Campos,Guida Lucas, Filomena Delgado,Fátima Saraiva e os jovens Professores assistentes Avelãs Nunes, Correia Pinto, Vital Moreira e tantos outros que nunca esqueceremos.A nossa saudade sentida para os Profs. Orlando de Carvalho e Paulo Quintela, e também para António Portugal, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira,Barros Moura, João Amaral,Sardo, Clara Antunes, Manuela Seiça Neves , Garcia Neto e outros que partiram cedo demais.


Osvaldo Castro


(adaptado e reactualizado a partir de um post publicado, em 17 de Abril de 2008, no Praça Stephens)