sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Crianças: Os direitos dos mais pequenos continuam a não ser respeitados em Portugal, diz Amnistia Internacional

Lisboa, 18 nov (Lusa)

Em Portugal, "as crianças continuam a não ver respeitados os seus direitos", sustenta Manuel Almeida dos Santos, da Amnistia Internacional, referindo "a negligência" como o primeiro fator de risco.

"Em Portugal, como em muitas partes do mundo, as crianças continuam a não ver respeitados os seus direitos constantes na Convenção dos Direitos das Crianças, de que Portugal é Estado-parte e está obrigado a cumprir", frisa Manuel Almeida dos Santos, coordenador do Cogrupo sobre os Direitos das Crianças da Amnistia Internacional-Portugal, que organiza sábado, no Porto, o seminário internacional "Os Direitos das Crianças na Atualidade".

"Neste momento, acabamos por concluir que os dados são muito preocupantes", realça Manuel Almeida dos Santos, em declarações à agência Lusa, falando mesmo num “quadro negro”.

“A negligência” é o primeiro fator de risco, diz. “O direito a ser acompanhado, pela família e pela sociedade, é aquele que está mais em risco de não ser respeitado”, indica.

Segue-se a “exposição a modelos de comportamento desviante”, acrescenta o ativista, recordando que “muitos dos jogos de computador, muitos dos desenhos animados” representam “situações de violência, de ódio, de agressão, de morte”.

Em terceiro lugar surgem os “maus tratos psicológicos e físicos e o abandono escolar”, acrescenta.

Apesar de todos os documentos internacionais e leis nacionais proibirem os castigos físicos, “continuamos a assistir na sociedade a uma certa permissividade”, presente na ideia de que “uma palmada na altura certa não faz mal nenhum”, critica.

“O castigo físico não tem qualquer valor pedagógico, bem pelo contrário, induz a existência de traumas e afetará a criança no seu desenvolvimento”, contrapõe adiantando que "todos estes fatores são da responsabilidade da comunidade".

Segundo o coordenador, a escola, os professores, os funcionários e os pais são responsáveis pelas crianças, mas não são donos delas.

"A criança em si é um sujeito de direitos, tem direitos próprios. Ninguém é dono de uma criança”, sustenta.

O seminário internacional, organizado pelo Cogrupo sobre os Direitos das Crianças da Amnistia Internacional-Portugal, decorre na véspera do 22.º aniversário da Convenção dos Direitos da Criança e reunirá, no auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, especialistas nacionais e internacionais, entre os quais um representante do Comité dos Direitos das Crianças das Nações Unidas.

SBR/Lusa

1 comentário:

Luís Coelho disse...

Este tempo e estas políticas obrigam os pais a tarefas laborais maiores e muitas vezes trocam os filhos por uma ilusão de lhes dar sempre mais alguma coisa. Não os abandonam mas acabam por não ter tempo para eles.
Na educação das crianças os pais devem em primeiro lugar ter tempo para brincar e crescer com eles e até se passarem privações ensinar-lhes que a vida é assim, só têm que lutar para sair delas.