quarta-feira, 23 de março de 2011

À Beira do Abismo?

Aproxima-se a tarde em que a sofreguidão e a avidez do poder se podem substituir ao sentido de estado e de responsabilidade.
A vertigem mediática e a incontida volúpia dos imaturos dirigentes do PSD podem colocar Portugal à beira da mais severa crise política e económica das últimas quatro décadas.
A boa execução orçamental dos primeiros dois meses de 2011 ou o ganho de causa e de confiança, por parte do primeiro ministro de Portugal, junto dos parceiros europeus, na cimeira de 11 de Março, parecem não ter sido suficientes para travar a sede de poder por parte do maior partido da oposição.
É certo que a actual direção do PSD se mostrava acossada pelas investidas do setor liderado por Rui Rio e estava estribada num discurso que, mais do que diagnóstico, se tranformou em incentivo à irresponsabilidade.
Porém, tudo somado, Passos Coelho devia ter pensado, antes de mais, nos portugueses e em Portugal.
Se olhar para a Grécia e para a Irlanda, logo descortinará que a intervenção externa, até agora, nada resolveu e tudo agravou.
Passos Coelho é assim tão imoderado e irrefletido que queira colocar Portugal à beira do abismo?
Osvaldo Castro

6 comentários:

André Pereira disse...

Parece que sim... lá vamos para o abismo...

anamar disse...

Com toda a estima que lhe tenho, Osvaldo Casrto, não tendo eu nada a ver com PC, o que fez Sócrates ao país em que estamos?
Sei que lhe estou a tocar na "casa"... mas é o que sinto.
Um abraço
Ana

Anónimo disse...

Era inevitavel. À sofreguidão dos partidos da direita em tentar chegar ao poder a qualquer preço, preço esse que vai ser pago principalmente pelos socialmente mais desfavorecidos, juntou-se uma esquerda radical, voluntariamente afastada de qualquer participação responsável a nivel governativo, presa do seu radicalismo anti Partido Socialista, insensata na analise das consequencias gravosas das suas posições.
Uma coligação negativa incapaz de comungar numa qualquer proposta alternativa, vai arrastar o país para uma situação económica e financeira extremamente negativa, destruindo toda a estratégia que o governo estava a construir de modo a conseguir uma resposta europeia às dificuldades das dividas soberanas.
Uma estrategia que, apesar das dificuldades politicas na Alemanha, e do radicalismo ingénuo da França, tambem ajudava Espanha, Itália e Belgica como um escudo protector contra as previsiveis opções drasticas e anti desenvolvimento económico caracteristicas da intervenção do FMI.
Alguns erros estratégicos do Governo no inicio desta crise financeira, são infinitamente menos penalizadores para Portugal que as consequencias das restrições ao financiamento que se podem adivinhar com o pedido a ajuda externa, os cortes cegos aos sistemas sociais (saude, pensões, etc).
Será que os Portugueses só o saberão tarde de mais?

Um abraço
Aníbal Curto

Carta a Garcia disse...

Caro André Pereira,

Sim, podemos estar nesse caminho, como logo se notou pela reação negativa das agências de "rating"...apesar de tudo, se não estamos já na bancarrota é porque Merkel e o PPE exigiram a Passos Coelho que se comprometesse com as medidas do PEC apresentadas por Sócrates em 11 de março, mesmo que designando-as de outra forma...!
Volte sempre!

Carta a Garcia disse...

Cara Anamar,

desculpe o atraso da resposta, mas nem sempre a vida e o tempo corre como desejávamos...
Respeito muito as S/ opiniões e nem percebo porque se sentiu na necessidade de esclarecer que nada tem a ver com o PC, onde, aliás, tenho grandes Amigos, e partido que continuo a respeitar, sem prejuízo das diferenças políticas...
Claro, Sócrates não fez tudo bem, mas, reconheça, recuperou o défice Barroso/Santana, entre 2005/7...depois caíu-lhe em cima uma crise internacional como se não via desde 1929 e que afetou e continua a afetar todo o mundo, e de modo severo os USA, a Europa e, como sempre, o trágico Japão...
Sócrates procurou corrigir os paradigmas económicos neo-liberais e oportunistas instilados por Cavaco Silva na sua década de primeiro-ministro de que as progressões automáticas, e sem avaliação segura dos funcionários públicos, é apenas um dos exemplos.Procurou garantir celeridade aos tribunais e caiu o Carmo e a Trindade...
Sim, cometeu erros,mas Cara Anamar, espero que não tenhamos de assistir ao que pode vir por aí por mão do Passos Coelho...destruição do serviço público de educação, com benefício dos interesses dos colégios privados,destruição do SNS, possibilidade de despedimentos sem justa causa...
Minha cara, é um gosto, lê-la,
Volte sempre...
Abraço,
OC

Carta a Garcia disse...

Caro Aníbal Curto,

Obrigado pela S/ visita.
Como imagina,subscrevo na íntegra a S/ linha de pensamento e as S/ preocupações.
Creio que teremos duros combates por diante...mas teremos de tudo fazer para evitar que o desbragado neo-conservadorismo do PSD possa destruir as grandes conquistas do regime democrático, em matéria de saúde, segurança social e educação.
Basta ter lido o projeto de revisão constitucional do PSD para verificar como a explanação prática do neo-liberalismo é o alfa e o ómega de Pedro Passos Coelho.
Volte sempre, abraço,
OC